Drops de Lana Del Rey

Lana é aquela artista que provoca reações adversas. Odiada por uns e amada por outros. Por um lado, é tratada com desdém, detentora de músicas tidas como chatas e soníferas. Por outro, é praticamente louvada com fervor religioso que remete a seitas dos anos 1960 e 70 — é disso que Freak trata, não é?

Apesar de não ter uma voz poderosa, ela não fica muito atrás de grandes músicos. E é muito provável que no futuro ela ganhe status de cult, se é que já não tem. Seus videoclipes seguem uma estética muito particular, sempre com ar de “caseiro” junto a uma produção de estúdio. Vários cortes secos e sobreposições de cenas são quase regras. Suas músicas quase sempre retratam perdas e amores passados ou perdas de amores passados e aventuras típicas de bad girl e femme fatale, que acabam por recriar uma vamp do cinema mudo. Que vemos claramente na sua fase Lizzy Grant pré-era Born to Die.

“I was born bad, but then I met you. You made me nice for a while but my dark side is true.” – trecho de Kinda Outta Lucky

 

Born to Die tem uma alma pura e simplesmente sessentista, fala da ‘decadência’ da nossa geração, comportamentos contrários ao vistos como ideais pela nossa sociedade, e por fim, fala da redenção. Ultraviolence é uma prévia do que está sendo Honeymoon, uma Lana mais século XXI mas sem esquecer das origens retrô. Em Ultraviolence conta-se o início de um relacionamento até o dia do casamento. Honeymoon é auto descritivo, a “consumação”. Em todas as fases, letras confessionais não faltam, resgata o que há de mais profundo na mente de Elizabeth W. Grant, Rey nunca negou isso.

 

 

Em suma, Lana Del Rey é uma artista subestimada, criou uma aura sobre si, o que não há nenhum problema, afinal, muitos outros músicas usam desse artifício para atrair atenção do público e da mídia. Uma das poucas que compõe as músicas que interpreta e tem controle ativo sobre a criação de seu próprio trabalho.

 

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