Berlim

A luz recebida se transformou em fotografia e por alguns minutos aquelas crianças, adultos e idosos, que a princípio tinham rostos desconhecidos, não são mais meros estranhos. Foram imortalizados pelo obturador e filme de uma câmera obsoleta que captou a falta de intimidade com filmagens e a curiosidade, notada principalmente por parte das crianças.

E não era para pouco, as câmeras da época ainda eram inacessíveis para grande parte da população. Eles poderiam se vangloriar sem problemas para seus conhecidos por tal acontecimento. Eles foram escolhidos, estavam na hora e minuto exatos!

Não foram escolhidos somente por isso, pertenceram a Geração da Primazia, foram os primeiros a vivenciarem tecnologias aperfeiçoadas e inéditas a seus pais e avós vitorianos – tais como automóveis cada vez mais populares, aviões, motores a jato, e claro, não podemos nos esquecer das novas ferramentas bélicas jamais vistas antes.

Suas imagens sobrevivem às intempéries e a passagem do tempo cruel. Enquanto houver computadores que possam exibir esse vídeo, tudo estará preservado.

Esse status de escolhido não lhes rendeu somente alegria mas também momentos de terror, noticiados aos moldes de um protótipo de globalização. “Que nação próspera e exemplar!” – muitos diriam e vários provavelmente já disseram, referindo-se a Alemanha.

A mãe Germânia deu à luz a artistas e pensadores excepcionais, era modelo em diversas áreas e o acesso a serviços básicos era abundante. Não era de se estranhar que causasse ciúmes a outras nações. E não somente por isso, mais entre outros motivos, todos eles viriam mais adiante sofrer o primeiro baque, que veio a se chamar Primeira Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial).

Em nome do patriotismo, muitos meninos, a essa altura já mais amadurecidos se sacrificaram e poucos saíram intactos dos campos de batalha. Que ferida aberta! Europa em crise e Alemanha mais que fragmentada. Palco livre para as ideias mais absurdas mas não novas. A Segunda Guerra Mundial veio à tona.

Quantos desses foram seduzidos pelo Nacional-socialismo? E quantos desses foram contrários, e mais além, contrariaram o governo, sendo sujeitos a grandes penalidades por ajudar judeus, ciganos, poloneses e todos aqueles que não se enquadravam em uma sociedade ariana a fugir ou se ocultarem? São perguntas que nunca serão respondidas.

E apesar disso, ainda podemos admirar as belas construções que são mostradas, a simplicidade e o estilo de vida anacrônico que dão margem ao desejo crescente de ter uma máquina do tempo para poder estar ali por alguns minutos.
* Texto inspirado no vídeo abaixo:

Eu tinha pretensão de enviar essa postagem no dia 27/01, que é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, o que claramente não ocorreu. Mesmo atrasada, deixo minha singela homenagem às vítimas que passaram por esse triste acontecimento desumano, que em pleno 2016, algumas pessoas teimam em negar.

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